sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

XX e XY


“Os habitantes do planeta XX adoram pensar no amor e em como encontrar um ser que se interesse por praticá-lo, enquanto os do planeta XY preferem dedicar seu tempo à praticidade, ao trabalho e ao futebol, o que faz com que estes habitantes, quando eventualmente se encontram, não consigam traduzir, de imediato, a linguagem que cada planeta usa para se comunicar.”


...o parágrafo acima poderia estar em algum livro de ciências do futuro, mas é apenas meu jeito de brincar com as diferenças entre “nós” e “eles”, os tais seres XY que nos atraem tanto, apesar de nem sempre entenderem nosso jeito de ver o mundo.

Nem preciso listá-las aqui. Só queria dizer que temos que aprender um jeito de nos divertirmos com elas, já que o tal encontro amoroso entre dois seres exige um trabalho e tanto pra descobrirmos como fazer pra “combinar” códigos tão distintos de comunicação. Woody Allen trata disso em alguns de seus filmes com um senso de humor delicioso de se ver. Rimos de nós mesmos em cenas mais que familiares.

Adoro ouvir histórias de amor e de como os encontros aconteceram... mas se a gente escuta ela contando como se sentiu atraída por ele, ouvirá a descrição do mais belo romance, recheado de cenas amorosas, enquanto a versão dele será bem mais simples e, sejamos sinceras, muitas vezes bem mais próxima da realidade.

Ouvi certa vez uma amiga contar que seu colega de faculdade, de quem ela esperava apenas um sinal para acabar de se derreter por ele, pediu-lhe que ela o acordasse todas as manhãs, às 7 horas, por telefone, para que ele fosse às aulas. Ela entendeu o pedido como a mais linda declaração de amor, já que, na sua percepção, ele estava deixando claro que acordar com sua voz tinha um sentido todo especial que um despertador nunca conseguiria lhe trazer no início de suas manhãs. Não sei qual seria a versão dele, mas acabaram namorando por um tempo e ela nunca se esqueceu do pedido e do prazer que tinha com aquela ligação, a telefônica e a amorosa.

O certo é que, ao fantasiarmos intenções românticas no que eles vão fazendo, tornamos os momentos a dois mais ternos e melhores de serem vividos. E não podemos nos esquecer que existem seres XY muito românticos também, “do tipo que ainda manda flores”, talvez em extinção, mas existem. Disputadíssimos, é verdade. Quem tem esse privilégio, não conta nem pra melhor amiga...

Eu adoraria passear por um caminho de flores, jogadas ali só pra que eu pudesse passar, como na canção do Vander Lee. Um mimo que faz bem ao coração. Tudo bem que sou romântica até a alma, mas imaginar que um homem se prepara com tanto cuidado pra nos encontrar, como costumamos fazer pra eles, faz qualquer mulher sonhar acordada...

...a gente só não pode tirar os dois pés do chão. Senão fica difícil viver o romance de todo dia, que nem sempre tem tantas flores assim, mas que de alguma maneira vale a pena. Por qual motivo desejaríamos tanto viver “juntos para sempre”, então?
(da Série: "O amor de cada um", n.2) 


Nenhum comentário:

Postar um comentário